Luciano de Almeida, presidente do Instituto Politécnico de Leiria (IPL), pediu ontem o apoio da sociedade civil e das forças políticas da região para transformar o IPL numa universidade politécnica, em consequência da aprovação da nova Lei de Bases, que mantém a impossibilidade de os politécnicos conferirem o grau de doutor. (...)
Relativamente à criação de uma universidade pública em Viseu, o presidente do IPL considerou que, se o projecto avançar, estaremos a assistir ao nascimento de uma universidade politécnica, tendo em conta as áreas de formação que ali serão ministradas. "Com os critérios que foram utilizados para criar a universidade em Viseu, podem ser criadas uma dúzia delas. O único obstáculo para não se criar uma universidade na minha aldeia é o facto de não ser uma Área Metropolitana", ironizou.
A ler, no Público
maio 26, 2004
maio 24, 2004
Ciências da vida não são prioridade
Entre todas as disciplinas da área das ciências e tecnologias, considerada prioritária para o Ministério da Ciência e Ensino Superior e onde é admitido um aumento do número de vagas no ano lectivo de 2004/2005, a ministra Maria Graça Carvalho não incluiu as chamadas ciências da vida. Assim, os cursos de bioquímica e biologia correm o risco de ficarem com o "numerus clausus" congelado.
A ler, no Público
A ler, no Público
maio 23, 2004
Novo director da Torre do Tombo que afinal não é Torre do Tombo
O historiador de arte Pedro Dias é o novo director do Instituto dos Arquivos Nacionais/Torre do Tombo (IAN/TT).
Perguntou-lhe um jornalista, em entrevista recente ao Expresso, como tinha encontrado o IANTT. Respondeu Pedro Dias: "Numa situação de perplexidade, porque ia haver uma mudança de direcção - a directora-geral, Miriam Halpern Pereira, tinha sido nomeada pelo ministro José Sasportes, com outro projecto político. Isso levou a que a Torre do Tombo (TT) tivesse momentos de indefinição, quer da direcção quer do Governo, o qual esperava que eu viesse a assumir funções para algumas mudanças de carácter estrutural. Isto não envolve qualquer crítica à minha antecessora, mas o facto de saber-se com muita antecedência que a directora não ficaria foi prejudicial. Se a TT se integra muito bem no MC, o instituto, em si, é transversal a toda a administração pública: as suas competências passam por todos os ministérios. Daí ser complicado ter alguém neste lugar que não se revê claramente no programa do Governo em funções."
Até o director da Torre do Tombo tem de ser alguém da confiança do governo?! Mas porquê? Fica claro que em Portugal tudo, mesmo tudo é pensado a curto prazo. Fica também evidente que qualquer lugar de nomeação governativa é sempre um lugar a curto prazo. Mudam os governos, muda o responsável por determinado organismo. Assim será impossível mudar o que quer que seja em Portugal. E ainda não se lembraram de privatizar o IANTT...
Nota 1) Justificação do título de hoje: diz o novo director do IANTT que "continua a existir um equívoco: isto não é a Torre do Tombo, é o Instituto de Arquivos Nacionais/Torre do Tombo. Já houve uma separação entre a TT e o então Instituto Português de Arquivos. Foi muito mau terem-se unido, mas seria uma catástrofe voltar atrás."
Nota 2) A entrevista, na íntegra, foi-me amavelmente fornecida pelo MJMatos, do Que Universidade?. Se alguém a quiser, também a poderei facultar.
Perguntou-lhe um jornalista, em entrevista recente ao Expresso, como tinha encontrado o IANTT. Respondeu Pedro Dias: "Numa situação de perplexidade, porque ia haver uma mudança de direcção - a directora-geral, Miriam Halpern Pereira, tinha sido nomeada pelo ministro José Sasportes, com outro projecto político. Isso levou a que a Torre do Tombo (TT) tivesse momentos de indefinição, quer da direcção quer do Governo, o qual esperava que eu viesse a assumir funções para algumas mudanças de carácter estrutural. Isto não envolve qualquer crítica à minha antecessora, mas o facto de saber-se com muita antecedência que a directora não ficaria foi prejudicial. Se a TT se integra muito bem no MC, o instituto, em si, é transversal a toda a administração pública: as suas competências passam por todos os ministérios. Daí ser complicado ter alguém neste lugar que não se revê claramente no programa do Governo em funções."
Até o director da Torre do Tombo tem de ser alguém da confiança do governo?! Mas porquê? Fica claro que em Portugal tudo, mesmo tudo é pensado a curto prazo. Fica também evidente que qualquer lugar de nomeação governativa é sempre um lugar a curto prazo. Mudam os governos, muda o responsável por determinado organismo. Assim será impossível mudar o que quer que seja em Portugal. E ainda não se lembraram de privatizar o IANTT...
Nota 1) Justificação do título de hoje: diz o novo director do IANTT que "continua a existir um equívoco: isto não é a Torre do Tombo, é o Instituto de Arquivos Nacionais/Torre do Tombo. Já houve uma separação entre a TT e o então Instituto Português de Arquivos. Foi muito mau terem-se unido, mas seria uma catástrofe voltar atrás."
Nota 2) A entrevista, na íntegra, foi-me amavelmente fornecida pelo MJMatos, do Que Universidade?. Se alguém a quiser, também a poderei facultar.
maio 22, 2004
Apontamentos
O Fio de Ariana continuava com uma crise identitária. Como seu tutor, resolvi sentar-me à sua frente para termos uma conversa. Tentei explicar-lhe que, nesta idade, surgem dúvidas sobre tudo. Mas ele estava mesmo melancólico. Entre um Professorices e um recém-chegado Ensino Superior em Crise, sentia-se com a auto-estima em baixo. Procurei ajudá-lo e sugeri-lhe que falasse de algo que preocupasse os seus colegas da faculdade. O Fio saltou no ecrã e disse com entusiasmo: “-Já sei. Conseguir apontamentos emprestados e fotocópias.” Estava encontrado o tema do dia.
No meu tempo de estudante eu era um aluno que tirava muito poucos apontamentos nas aulas. Em alguns casos porque preferia ouvir o professor e tentar perceber a matéria, tomando nota de apenas alguns tópicos. Noutros, porque do que o professor dizia, em 2 horas de aulas, pouco de essencial se aproveitava. Mas a maior parte dos colegas tirava imensos apontamentos. Pareciam funcinários do tribunal. Quando chegava a altura dos exames, havia quem pedisse os apontamentos emprestados a esses colegas-escrivães. A maior parte estudava por apontamentos: pelos seus ou pelos de outro colega. Nas aulas, raramente alguém tinha dúvidas. Quando interrompiam o professor era para lhe pedir que repetisse o que tinha dito...
O certo é que, em algumas disciplinas, estudar pelos apontamentos dava muito bons resultados. Quando assim acontecia, eu tinha uma má surpresa na pauta... Como não tinha apontamentos, e cometia a heresia de fazer leituras, não poderia responder ao que o professor pretendia.
Ora, alguns colegas alcançavam os resultados necessários para passar de ano sem irem às aulas e sem lerem um único livro. E não estou a falar de trabalhadores-estudantes. Esses, muitas vezes, surpreendiam pelos bons resultados.
Foi a pensar nestes episódios que um dia destes lancei o repto sobre a Universidade Aberta. O Jorge Morais ainda não me respondeu, mas voltarei ao assunto. Mas porquê invocar a UA neste contexto? Porque, segundo sei, na UA não existem aulas presenciais e os alunos têm ao dispor manuais. Ora, na UA isso até pode ser compreensível, se o manual servir como guião de estudo. Deixa de o ser se o aluno não ler mais nenhuma obra. Mas o caso é mais grave no caso do ensino presencial, em que a maior parte dos alunos não são trabalhadores-estudantes. Não é aceitável que se conclua um curso lendo apenas apontamentos. Informação não é sinónimo de conhecimento: ler vários autores sobre o mesmo assunto é essencial para a construção de um espírito crítico, de análise e reflexão.
Mas será a responsabilidade só dos alunos? Não me parece. Os professores promovem esta situação ao darem um tom descritivo às suas aulas e, nos exames, colocarem questões que não obrigam à análise e conduzem à mera narração.
No meu tempo de estudante eu era um aluno que tirava muito poucos apontamentos nas aulas. Em alguns casos porque preferia ouvir o professor e tentar perceber a matéria, tomando nota de apenas alguns tópicos. Noutros, porque do que o professor dizia, em 2 horas de aulas, pouco de essencial se aproveitava. Mas a maior parte dos colegas tirava imensos apontamentos. Pareciam funcinários do tribunal. Quando chegava a altura dos exames, havia quem pedisse os apontamentos emprestados a esses colegas-escrivães. A maior parte estudava por apontamentos: pelos seus ou pelos de outro colega. Nas aulas, raramente alguém tinha dúvidas. Quando interrompiam o professor era para lhe pedir que repetisse o que tinha dito...
O certo é que, em algumas disciplinas, estudar pelos apontamentos dava muito bons resultados. Quando assim acontecia, eu tinha uma má surpresa na pauta... Como não tinha apontamentos, e cometia a heresia de fazer leituras, não poderia responder ao que o professor pretendia.
Ora, alguns colegas alcançavam os resultados necessários para passar de ano sem irem às aulas e sem lerem um único livro. E não estou a falar de trabalhadores-estudantes. Esses, muitas vezes, surpreendiam pelos bons resultados.
Foi a pensar nestes episódios que um dia destes lancei o repto sobre a Universidade Aberta. O Jorge Morais ainda não me respondeu, mas voltarei ao assunto. Mas porquê invocar a UA neste contexto? Porque, segundo sei, na UA não existem aulas presenciais e os alunos têm ao dispor manuais. Ora, na UA isso até pode ser compreensível, se o manual servir como guião de estudo. Deixa de o ser se o aluno não ler mais nenhuma obra. Mas o caso é mais grave no caso do ensino presencial, em que a maior parte dos alunos não são trabalhadores-estudantes. Não é aceitável que se conclua um curso lendo apenas apontamentos. Informação não é sinónimo de conhecimento: ler vários autores sobre o mesmo assunto é essencial para a construção de um espírito crítico, de análise e reflexão.
Mas será a responsabilidade só dos alunos? Não me parece. Os professores promovem esta situação ao darem um tom descritivo às suas aulas e, nos exames, colocarem questões que não obrigam à análise e conduzem à mera narração.
maio 21, 2004
maio 20, 2004
Repto
Hoje lanço um desafio ao nosso colega dos Estudos Gerais.
Jorge Morais,
Quer explicar-nos porque é que é importante existir a Universidade Aberta (UA)?
Um licenciado pela UA tem uma preparação idêntica à ministrada no ensino presencial?
Como se produz investigação na UA (e eu sei que há investigação) se "não há" alunos?
Claro que no debate pode entrar quem quiser.
Jorge Morais,
Quer explicar-nos porque é que é importante existir a Universidade Aberta (UA)?
Um licenciado pela UA tem uma preparação idêntica à ministrada no ensino presencial?
Como se produz investigação na UA (e eu sei que há investigação) se "não há" alunos?
Claro que no debate pode entrar quem quiser.
maio 19, 2004
Adoro eleições
O Governo açoriano atribuiu hoje 590 mil euros à aquisição de equipamento para a nova biblioteca central da universidade do arquipélago, que custou cerca de quatro milhões de euros.
Apesar de formalmente inaugurada em Julho do ano passado, a infra-estrutura do pólo de Ponta Delgada do estabelecimento de ensino superior não entrou em funcionamento na ocasião, devido à falta de equipamento e à necessidade de transferência do espólio do anterior edifício.
Segundo uma fonte do Governo dos Açores, a verba agora disponibilizada constitui uma das acções previstas no Plano de Investimentos do arquipélago para este ano, aprovado na Assembleia Legislativa Regional.
Além disso, enquadra-se no esforço que o Executivo regional tem desenvolvido de "solidificação técnica, científica e financeira" da Universidade dos Açores, que dispõe de cerca de três mil alunos, disse a mesma fonte.
A biblioteca central da universidade, inaugurada pelo anterior reitor Vasco Garcia, vai centralizar um espólio de cerca de 200 mil volumes, permitindo ainda aos alunos e docentes acederem, por meios informáticos, às redes bibliográficas nacionais e internacionais.
In Público.pt - Última Hora
Apesar de formalmente inaugurada em Julho do ano passado, a infra-estrutura do pólo de Ponta Delgada do estabelecimento de ensino superior não entrou em funcionamento na ocasião, devido à falta de equipamento e à necessidade de transferência do espólio do anterior edifício.
Segundo uma fonte do Governo dos Açores, a verba agora disponibilizada constitui uma das acções previstas no Plano de Investimentos do arquipélago para este ano, aprovado na Assembleia Legislativa Regional.
Além disso, enquadra-se no esforço que o Executivo regional tem desenvolvido de "solidificação técnica, científica e financeira" da Universidade dos Açores, que dispõe de cerca de três mil alunos, disse a mesma fonte.
A biblioteca central da universidade, inaugurada pelo anterior reitor Vasco Garcia, vai centralizar um espólio de cerca de 200 mil volumes, permitindo ainda aos alunos e docentes acederem, por meios informáticos, às redes bibliográficas nacionais e internacionais.
In Público.pt - Última Hora
Eu
Uma das questões que se debate acerca da blogosfera é a da possibilidade que existe de utilizar este meio com fins pouco éticos, nomeadamente utilizando a calúnia. Ora tal só é possível dado o anonimato que aqui é facilitado.
Quando iniciei este blogue comecei por assinar como Fio, mas pela invocação de Clio, musa da História (iconograficamente aqui representada no canto superior), houve quem sugerisse que adoptasse aquele nome. E assim foi até há pouco tempo, quando decidi assinar estes textos com as iniciais do meu nome. Nunca procurei um verdadeiro anonimato, e o facto de procurar sempre transmitir a minha opinião, sem ultrapassar o “risco”, faz com que julgue importante personalizar ainda mais este blogue. Uma personalização que é também humanização e responsabilização. Esta necessidade ética talvez se deva, até, ao facto de aos 15 anos ter optado por Humanidades com a intenção de seguir Jornalismo. Acabei por fazer outras opções. E ainda bem. Sou um licenciado em História bastante satisfeito com o que tenho aprendido, e ainda mais agora com uma tese que é, sem dúvida, o meu grande projecto do momento.
E porquê um blogue sobre o ensino superior? Ao contrário dos autores dos outros três blogues sobre esta temática, não sou professor, nem virei a ser. E, como já perceberam, nem aluno (de licenciatura) sou. Ou seja, move-me apenas a certeza de que é na Escola que está o motor da mudança do país. Enquanto a Escola, e a Escola Superior em particular, continuar como está, será difícil alterar o que quer que seja em Portugal. Ou seja, é um dever de cidadania interessarmo-nos pelo Ensino Superior.
Bem, tudo isto para dizer:
Bom dia! Sou o Hugo Ribeiro.
Quando iniciei este blogue comecei por assinar como Fio, mas pela invocação de Clio, musa da História (iconograficamente aqui representada no canto superior), houve quem sugerisse que adoptasse aquele nome. E assim foi até há pouco tempo, quando decidi assinar estes textos com as iniciais do meu nome. Nunca procurei um verdadeiro anonimato, e o facto de procurar sempre transmitir a minha opinião, sem ultrapassar o “risco”, faz com que julgue importante personalizar ainda mais este blogue. Uma personalização que é também humanização e responsabilização. Esta necessidade ética talvez se deva, até, ao facto de aos 15 anos ter optado por Humanidades com a intenção de seguir Jornalismo. Acabei por fazer outras opções. E ainda bem. Sou um licenciado em História bastante satisfeito com o que tenho aprendido, e ainda mais agora com uma tese que é, sem dúvida, o meu grande projecto do momento.
E porquê um blogue sobre o ensino superior? Ao contrário dos autores dos outros três blogues sobre esta temática, não sou professor, nem virei a ser. E, como já perceberam, nem aluno (de licenciatura) sou. Ou seja, move-me apenas a certeza de que é na Escola que está o motor da mudança do país. Enquanto a Escola, e a Escola Superior em particular, continuar como está, será difícil alterar o que quer que seja em Portugal. Ou seja, é um dever de cidadania interessarmo-nos pelo Ensino Superior.
Bem, tudo isto para dizer:
Bom dia! Sou o Hugo Ribeiro.
maio 18, 2004
Universidade a caminho de Viseu (e Bragança que continue a esperar sentada)
Durão Barroso tornou ontem Público a criação de uma universidade (pública) em Viseu. "Vai ser uma universidade que será tecnológica e muito avançada", atirou o primeiro-ministro. "Assim fazemos justiça com esta cidade e com esta região".
Além do Conselho de Reitores das Universidades Portuguesas (CRUP) - que já manifestou ao PÚBLICO que "não existe , neste momento, nenhuma justificação para mais uma instituição de ensino superior, pública ou privada -, também o Conselho Coordenador dos Institutos Superiores Politécnicos (CCISP) contesta o anúncio de Durão Barroso. "Estamos muito preocupados", acentuou o presidente do CCISP, Luciano de Almeida. "Tendo em conta o discurso que o Governo manteve nos últimos dois anos, em que acusou as instituições de ensino superior de terem criado cursos e escolas a mais, é estranho que agora anuncie outra universidade". Luciano de Almeida acredita que por trás da decisão do Governo estiveram outros critérios que não científicos - "nomeadamente políticos, é claro", vincou, para depois lembrar que a falta de oferta de ensino tecnológico é um falso argumento. Na opinião de Luciano de Almeida, o Governo devia primeiro ter analisado a rede de oferta de ensino superior e só depois verificar se havia necessidade de outra universidade.
Mais uma vez se tomam decisões fáceis. Como é que neste momento se anuncia a abertura duma nova universidade em Portugal, quando até as maiores instituições se começam a ver confrontadas com falta de alunos? E que oferta vai trazer a universidade de Viseu? O que é que, em termos de política de ensino superior, a justifica?
Além do Conselho de Reitores das Universidades Portuguesas (CRUP) - que já manifestou ao PÚBLICO que "não existe , neste momento, nenhuma justificação para mais uma instituição de ensino superior, pública ou privada -, também o Conselho Coordenador dos Institutos Superiores Politécnicos (CCISP) contesta o anúncio de Durão Barroso. "Estamos muito preocupados", acentuou o presidente do CCISP, Luciano de Almeida. "Tendo em conta o discurso que o Governo manteve nos últimos dois anos, em que acusou as instituições de ensino superior de terem criado cursos e escolas a mais, é estranho que agora anuncie outra universidade". Luciano de Almeida acredita que por trás da decisão do Governo estiveram outros critérios que não científicos - "nomeadamente políticos, é claro", vincou, para depois lembrar que a falta de oferta de ensino tecnológico é um falso argumento. Na opinião de Luciano de Almeida, o Governo devia primeiro ter analisado a rede de oferta de ensino superior e só depois verificar se havia necessidade de outra universidade.
Mais uma vez se tomam decisões fáceis. Como é que neste momento se anuncia a abertura duma nova universidade em Portugal, quando até as maiores instituições se começam a ver confrontadas com falta de alunos? E que oferta vai trazer a universidade de Viseu? O que é que, em termos de política de ensino superior, a justifica?
maio 17, 2004
Universidade e Mercado de Trabalho
Já aqui afirmei que me sinto desconfortável nesta pele de aluno a falar sobre o ensino superior. Sobretudo por não ser aluno de licenciatura. Mas adiante. Hoje chamo-vos a atenção para o texto dum filho do 25 de Abril. Escreve o Ricardo Vares:
"Mas o grande segredo da Irlanda parece ser, sem dúvida, a sinergia que foi criada entre a Educação e as Empresas. É o mercado de trabalho que dita as necessidades, é o sistema de ensino que rapidamente se adequa.
É claro que a Educação não pode ser completamente direccionada para o mercado de trabalho porque há sempre teorias a estudar, novos rumos por explorar, novas ideias a considerar. Nem oito nem oitenta. Mas uma coisa parece certa, falta a ligação entre as Universidades e o mercado de trabalho, com raras excepções." A ler.
"Mas o grande segredo da Irlanda parece ser, sem dúvida, a sinergia que foi criada entre a Educação e as Empresas. É o mercado de trabalho que dita as necessidades, é o sistema de ensino que rapidamente se adequa.
É claro que a Educação não pode ser completamente direccionada para o mercado de trabalho porque há sempre teorias a estudar, novos rumos por explorar, novas ideias a considerar. Nem oito nem oitenta. Mas uma coisa parece certa, falta a ligação entre as Universidades e o mercado de trabalho, com raras excepções." A ler.
maio 16, 2004
Informação e Comunicação: descubra as diferenças
Tenho verificado que, em diversas publicações, o curso de Ciência da Informação, ministrado na Faculdade de Letras da Universidade do Porto, surge como sendo uma licenciatura de Jornalismo ou de Comunicação Social. Julgo que o equívoco tem a ver com o nome do curso. No entanto, quem se der ao trabalho de ir ver o elenco das disciplinas que o compõem, rapidamente se apercebe que se trata de uma licenciatura destinada a formar profissionais de arquivos, bibliotecas ou até empresas, com funções de gestão de informação. Em suma, esta que foi uma das primeiras licenciaturas na área no nosso país, a funcionar desde 2001/2002, nada tem a ver com quem quer ser jornalista. Aliás, um pouco mais de atenção levaria a interrogarmo-nos como é que a mesma instituição tinha dois cursos iguais: Ciência da Informação e Jornalismo e Ciências da Comunicação.
Refira-se, porém, que a designação "Ciência da Informação" tem também causado alguma confusão a alguns candidatos ao ensino superior, que julgam estar a concorrer a jornalismo e não a um curso de licenciatura que veio ocupar o lugar de um curso de especialização de dois anos (o curso de Ciências Documentais, a que podiam concorrer licenciados de qualquer área do saber). Esta seria uma outra discussão: até que ponto será correcto criar um curso de banda tão estreita? Até que ponto a formação ministrada no curso de Ciência da Informação não é excessivamente técnica? Teremos arquivistas muito bons a organizar arquivos, mas que não saberão "olhar" para um documento histórico? Teremos bibliotecários que apenas saberão indexar, mas sem gosto pela leitura?
Refira-se, porém, que a designação "Ciência da Informação" tem também causado alguma confusão a alguns candidatos ao ensino superior, que julgam estar a concorrer a jornalismo e não a um curso de licenciatura que veio ocupar o lugar de um curso de especialização de dois anos (o curso de Ciências Documentais, a que podiam concorrer licenciados de qualquer área do saber). Esta seria uma outra discussão: até que ponto será correcto criar um curso de banda tão estreita? Até que ponto a formação ministrada no curso de Ciência da Informação não é excessivamente técnica? Teremos arquivistas muito bons a organizar arquivos, mas que não saberão "olhar" para um documento histórico? Teremos bibliotecários que apenas saberão indexar, mas sem gosto pela leitura?
maio 15, 2004
Participação Democrática na Universidade
Na "minha" instituição é tempo de eleições. Como faço parte da élite que não tem direito a voto, confesso que nem sei para que orgãos são as eleições. Mas julgo que se destinam à escolha dos corpos da Associação de Estudantes. Os cartazes afixados pela faculdade fizeram-me recordar uma outra questão: o peso do voto dos alunos nos diversos orgãos da Faculdade e da Universidade. Aqui no Porto, os alunos deixaram, há uns anos atrás, de ter papel decisivo na escolha do reitor. Julgo que isso é muito importante. A eleição do representante máximo da instituição não pode depender da chantagem dos estudantes. Infelizmente, por razões sociológicas, o voto dos estudantes nem sempre é dado a quem potencialmente poderá ser um bom reitor, mas sim àquele cujas promessas vão de encontro ao que os estudantes desejam para si. Ou seja, uma eleição não pode ficar dependente de um único grupo. A Universidade não são só os alunos. No entanto, mesmo não constituindo os alunos a maioria dos votantes, parece-me que o actual modelo geral de governação da universidade necessita de profundas alterações. E julgo que esta não é uma preocupação presente no actual debate acerca da Universidade...
maio 14, 2004
Perdido, no Labirinto
Quando entramos no Labirinto vamos cheios de expectativas. Um objectivo está traçado: chegar à meta. É, sem dúvida, um grande desafio. No entanto, depois de entrar nele, rapidamente nos apercebemos que não será fácil descobrir a saída. Por vezes fazemos o jogo sozinhos. Outras acompanhados. Mas o objectivo e as ânsias são sempre individuais. Claro que poderíamos fazer batota. Furar uma parede do labirinto ou saltar um muro. Isso permitir-nos-ia alcançar a saída de forma mais rápida. Mas, já fora do labirinto, sentirmo-nos-iamos mais felizes e realizados?
Estou no Labirinto. Sei que encontrarei a saída. Sei que chegarei à meta. Sei que não estou sozinho. Apenas desconheço o como.
Estou no Labirinto. Sei que encontrarei a saída. Sei que chegarei à meta. Sei que não estou sozinho. Apenas desconheço o como.
maio 13, 2004
Manifesto Pela História
Já há alguns dias que tinha assinado o Manifesto Pela História. Mas só hoje, ao ler o BioTerra é que me lembrei que poderia aqui divulgar esta iniciativa da Associação de Professores de História.
Manifesto "Pela História"
Para: Presidente da República; Presidente da Assembleia da República; Primeiro Ministro; Ministro da Educação; Ministra da Ciência e do Ensino Superior; Ministro da Cultura
A HISTÓRIA preserva a memória, contribuindo para o desenvolvimento da consciência social;
A HISTÓRIA alia permanências e mudanças, perenidade e relatividade, fundamentando a construção de uma identidade inclusiva (local, nacional e global);
A HISTÓRIA recorda o passado colectivo e, como diz José Mattoso, recordar o passado colectivo é uma forma de lutar contra a morte.
Esta consciência cidadã, aliada às potencialidades formativas das metodologias da educação histórica, torna manifesta a importância essencial da disciplina de História nos currículos escolares, como o reconheceu a Conferência Permanente dos Ministros Europeus da Educação, reunida na Noruega em 1997. As conclusões da Conferência, subscritas pelo governo português, consideram que:
O ensino da História pode e deve ter uma importante contribuição para a educação em geral e, em particular, para a educação de uma cidadania democrática permitindo aos jovens: i. Aprenderem acerca da sua herança histórica, bem como a de outras pessoas e nações; ii. Adquirirem e praticarem técnicas fundamentais, tais como a capacidade de pensarem por eles próprios, a capacidade para tratarem e analisarem de forma crítica diferentes formas de informação e a capacidade de não se deixarem influenciar por informação preconceituosa e por argumentos irracionais; iii. Desenvolverem atitudes básicas tais como a honestidade intelectual e rigor, um julgamento independente, uma abertura de espírito, a curiosidade, a coragem civil e a tolerância.
Desde a sua formação, a Associação de Professores de História tem procurado contribuir activamente para a promoção da História e a consecução dos objectivos do seu ensino. É, assim, incompreensível e preocupante o espaço cada vez menor atribuído à História nos actuais 2º e 3º ciclos do ensino básico, (reduzida em muitas escolas a escassos 90 minutos semanais) e o seu eventual futuro desaparecimento do currículo como área autónoma de saber.
A APH reafirma a importância da consagração do lugar da História no currículo da escolaridade obrigatória, dotada de tempos lectivos adequados e com o relevo que o seu papel na formação da cidadania democrática lhe exige.
Associação de Professores de História
Assine aqui a petição!
Manifesto "Pela História"
Para: Presidente da República; Presidente da Assembleia da República; Primeiro Ministro; Ministro da Educação; Ministra da Ciência e do Ensino Superior; Ministro da Cultura
A HISTÓRIA preserva a memória, contribuindo para o desenvolvimento da consciência social;
A HISTÓRIA alia permanências e mudanças, perenidade e relatividade, fundamentando a construção de uma identidade inclusiva (local, nacional e global);
A HISTÓRIA recorda o passado colectivo e, como diz José Mattoso, recordar o passado colectivo é uma forma de lutar contra a morte.
Esta consciência cidadã, aliada às potencialidades formativas das metodologias da educação histórica, torna manifesta a importância essencial da disciplina de História nos currículos escolares, como o reconheceu a Conferência Permanente dos Ministros Europeus da Educação, reunida na Noruega em 1997. As conclusões da Conferência, subscritas pelo governo português, consideram que:
O ensino da História pode e deve ter uma importante contribuição para a educação em geral e, em particular, para a educação de uma cidadania democrática permitindo aos jovens: i. Aprenderem acerca da sua herança histórica, bem como a de outras pessoas e nações; ii. Adquirirem e praticarem técnicas fundamentais, tais como a capacidade de pensarem por eles próprios, a capacidade para tratarem e analisarem de forma crítica diferentes formas de informação e a capacidade de não se deixarem influenciar por informação preconceituosa e por argumentos irracionais; iii. Desenvolverem atitudes básicas tais como a honestidade intelectual e rigor, um julgamento independente, uma abertura de espírito, a curiosidade, a coragem civil e a tolerância.
Desde a sua formação, a Associação de Professores de História tem procurado contribuir activamente para a promoção da História e a consecução dos objectivos do seu ensino. É, assim, incompreensível e preocupante o espaço cada vez menor atribuído à História nos actuais 2º e 3º ciclos do ensino básico, (reduzida em muitas escolas a escassos 90 minutos semanais) e o seu eventual futuro desaparecimento do currículo como área autónoma de saber.
A APH reafirma a importância da consagração do lugar da História no currículo da escolaridade obrigatória, dotada de tempos lectivos adequados e com o relevo que o seu papel na formação da cidadania democrática lhe exige.
Associação de Professores de História
Assine aqui a petição!
maio 12, 2004
Regresso
Voltei.
Foram três dias engraçados e bem passados, em termos humanos. O sotão é que podia ter sido mais generoso comigo. Mas enfim, contingências da investigação.
Mas foi bom cruzar-me com uma pessoa em particular, e conhecer uma outra, bastante simpática e cujos gestos e olhar espelhavam o entusiasmo com que está na investigação. Só por isto valeu a pena ir a Lisboa.
Entretanto, para quem quer mais informações sobre o Congresso/Seminário Internacional do Sal, pode entrar aqui.
Foram três dias engraçados e bem passados, em termos humanos. O sotão é que podia ter sido mais generoso comigo. Mas enfim, contingências da investigação.
Mas foi bom cruzar-me com uma pessoa em particular, e conhecer uma outra, bastante simpática e cujos gestos e olhar espelhavam o entusiasmo com que está na investigação. Só por isto valeu a pena ir a Lisboa.
Entretanto, para quem quer mais informações sobre o Congresso/Seminário Internacional do Sal, pode entrar aqui.
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